quinta-feira, 21 de junho de 2012

"(...) sinto que sou muito mais completa quando não entendo (...)" Clarice Lispector


Talvez o saber seja mais urgente.
Entender... nem sempre me obrigo...
Entender...
A momentos em que entender é reter o invisível
o impalpável...
o enxergar cabelo em ovo...
como polemizar a sabedoria.
Sinto que sou mais plena quando não entendo...


W. Jvalamalini

sábado, 26 de maio de 2012

Não sei quantas almas tenho - Fernando Pessoa


Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho 
Nunca me vi, nem olhei
De tanto ser, só tenho alma
Ás vezes, sou o Deus que trago em mim 
E então eu sou o Deus, e o crente e a prece
E a imagem de marfim em que esse Deus se esquece
Ás vezes não sou mais que um ateu
O mundo rui ao meu redor
Os meus sentidos oscilam
Bandeira rota ao vento
Busca um porto longe, uma nau desconhecida
E esse é todo o sentido da minha vida. 


Alberto Caeiro

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

...só os angustiados compreendem...

Cheguei a pensar que a dificuldade estava nos planos, no desânimo de mantê-los.
Também pensei que precisava mudar de lugar, de cidade, estado ou pais,
mas vejo que esta dificuldade... uma angustia que paralisa, doí, incomoda...
tudo isso,  esta no hoje, no meu agora. 

E para qualquer lugar que eu vá 
Qualquer lugar que queira esquecer
Que queira esconder
Lá vai ter
o vazio
do meu agora



Não dá para esconder, esquecer
Só da para transformar,
mudar só por dentro
mesmo quando "só" não significa pouco
nem suficiente.
Só é necessário...
Só...

W. Jvalamalini

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Por um instante, deixe-me devanear...


Nada foi dito. E tudo foi feito
Os corpos exaustos. A cama desfeita
O desejo aliviado. A carne alheia
O sal, transpira o cansaço.

Menos que o desejo
Menos que a pretensao
Mais que a vontade

Quisera eu falar de amor
como cantas a dor.
como sinto de saudade.

Por isso, por tanto…
Deixe que teus dias se esbarrem nos meus
Que teus sonhos me sugestione caminhos
E que o ventre queira tecer o amanhã
para que exista o nós

Me traga a beleza de suas palavras
A leveza de suas complexas melodias
para fazermos com nosso novo dia
Um perfeito concerto

Afinado na harmonia dos canticos que saúdam o amor,
que buscam o colo divino, na pureza da verdade
na coerência do querer, do estar, do entender,
no ouvit, no falar, no calar, no viver.
deixe-me ser você sem sair de mim
sem querer o final, sem iludir meus dias

Deixe-me sonhar-te como verdade
Que guardava inconscientemente
Que buscavamos calados, com frases no olhar

Então deixe-me crer que nossa espera esteva escrita,
Nossos caminhos entrelaçados
com laços de fita, de cetim, de filó,
De azul, de branco, de amarelo
E sem nó

Com tudo, isso nos trará dias belos
Para que tudo venha acontecer
Como deve ser, deixe-me crer!

Não deixe-me ir!
Logo hoje que nos dias tenho
A duvida permanente no ir embora.
No hoje, nao quero fingir que não sinto.
Quando, no passado insensivel cheia
De medo do preterimento, preferi preterir

No hoje em diante quero, o sólido
Abstrato de muitos devaneios,
Da criação da inocência,
Na arte para o amor alimentar.



“Bora” tocar uma viola...
E dali cativar apenas um rosa,
Apenas a mais linda das notas
Que me trazes no olhar

Deixe-me crer E creia.
Não me deixe mais ir
Pois tu só ira se preferir,
Se “isso” nasceu apenas de mim..

Se estou louca que me mostre
Ao menos a luz antes de partir.
Novamente.

Não quero mais abrir mãos
Por ter os dedos presos
Por pensar não merecer
Por ter medo de dizer
Por vontade de me destruir
Talvez não deva mesmo

Deixe-me acreditar
Sem vergonha
Tentar ser feliz
De novo

Deixe-me vir vê-lo
Deixe viver
Deixe-me!

W. Jvalamalini