Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho
Nunca me vi, nem olhei
De tanto ser, só tenho alma
Ás vezes, sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus, e o crente e a prece
E a imagem de marfim em que esse Deus se esquece
Ás vezes não sou mais que um ateu
O mundo rui ao meu redor
Os meus sentidos oscilam
Bandeira rota ao vento
Busca um porto longe, uma nau desconhecida
E esse é todo o sentido da minha vida.
Alberto Caeiro
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