sábado, 26 de maio de 2012

Não sei quantas almas tenho - Fernando Pessoa


Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho 
Nunca me vi, nem olhei
De tanto ser, só tenho alma
Ás vezes, sou o Deus que trago em mim 
E então eu sou o Deus, e o crente e a prece
E a imagem de marfim em que esse Deus se esquece
Ás vezes não sou mais que um ateu
O mundo rui ao meu redor
Os meus sentidos oscilam
Bandeira rota ao vento
Busca um porto longe, uma nau desconhecida
E esse é todo o sentido da minha vida. 


Alberto Caeiro

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